domingo, 25 de fevereiro de 2007

Amor: eros ou agape?

Lanço hoje uma discussão sobre o conceito de amor, para todos os confrades que queiram participar, e inicio no antigo testamento. Agape representará o amor pelo próximo e eros o amor de quem deseja possuir o que lhe falta. O amor de Deus iguala o amor entre a humanidade? Para tal, há dois textos muito interessantes no Antigo Testamento, que passo a transcrever:

Disse-me o Senhor: "Vai outra vez, ama uma mulher, amada de seu amigo, e adúltera, como o Senhor ama os filhos de Israel, embora eles se voltem para outros deuses, e gostem das passas de uvas". Assim eu comprei para mim tal mulher por quinze peças de prata, e um homer e meio de cevada; e disse-lhe: "Por muitos dias tu ficarás esperando por mim; não te prostituirás, nem serás mulher de outro homem; assim também eu esperarei por ti." (Oseias, 3. 1-3)

Então veio a mim de novo a palavra do Senhor: Homem mortal, expõe a Jerusalém os seus actos abomináveis. Fala-lhe que o Senhor Deus lhe diz o seguinte - Tu não és melhor do que o povo de Canaã - teu pai, se calhar, era amorreu e tua mãe hitita! Quando nasceste ninguém cuidou de ti. Quando te encontrei a primeira vez, o teu cordão umbilical não tinha sido cortado, e não tinhas sido lavada nem esfregada com sal, nem envolta em panos. Ninguém tinha o menor interesse em ti, ninguém tinha pena de ti. Nesse dia em que nasceste, lançaram-te para o campo, onde te deixaram, indesejada. Mas eu passei por ali e vi-te, ainda coberta com o teu próprio sangue, e disse: Vive! Prospera como uma planta no campo! E assim aconteceu contigo! Cresceste, desenvolveste-te, esbelta e elegante, pérola rara entre pérolas. Quando te tornaste rapariga formaram-se-te os seios, o teu cabelo era lindo, mas não tinhas roupa; andavas descoberta! Mais tarde, quando passei junto de ti e te vi novamente, tinhas já idade de casar; então estendi a minha capa sobre ti, declarando formalmente que casava contigo. Assinei uma aliança contigo, e tornaste-te minha. Depois do casamento, dei-te belas roupas de linho e de seda bordada, sapatos de pele de texugo. Ofereci-te belos adornos, pulseiras, colares, anéis, brincos, além de uma rica tiara para a testa. Tornaste-te assim uma beleza, coberta de ouro e de prata, de roupa ricamente bordada, de linho e de seda. Passaste a comer delicada comida e a tua beleza aumentou ainda. Parecias uma rainha, e eras, na verdade! Era grande a tua reputação entre os povos, por causa da tua beleza, a qual era perfeita devido a tudo o que te dei, diz o Senhor Deus. Mas tu pensaste em te veres livre de mim - confiaste na tua formosura e começaste a corromper-te, prostituindo-te com todos os amantes que vinham ao teu encontro para te possuírem. Usaste das belas coisas que te concedi para fazeres com elas nichos para ídolos e para decorar a tua cama de prostituição. Incrível! Nunca jamais se viu uma coisa assim! Pegaste nas jóias e nos adornos de ouro e de prata que te dera e fizeste com tudo isso estátuas de figuras humanas, adorando-as, o que representava grave adultério contra mim. Empregaste a esplêndida roupa bordada que te dei para cobrires os deuses! Até o meu óleo e o incenso te serviu para lhes prestares culto! Puseste diante deles - imaginem! - a fina farinha, o azeite e o mel que te tinha dado; usaste isso como sacrifício de amor por eles. Pegaste nos filhos e filhas que me tinhas gerado e sacrificaste-os aos teus deuses, consumindo-os no fogo. Não teria bastado que te tivesses prostituído? Havias ainda de degolar os meus filhos sobre fogos de estranhos altares? Em todos estes anos de adultério e de pecado, não pensaste uma só vez naqueles dias, vão longe, em que andavas nua e manchada do teu próprio sangue. (Ezequiel 16, 1-22).

Estaremos nós perante eros ou agape?

2 comentários:

O Jansenista disse...

Na definição que dá dos termos não consigo equacionar a questão. Saberia se adoptássemos um entendimento mais canónico: eros como amor sexualmente determinado, agape como o amor de dadiva e compaixão incondicionada (a caritas) e a philia como um termo intermédio, um amor assexuado mas sensual, conduzido pelo gosto hedónico da partilha, eu diria que, nas pssagens transcritas, tal como na vida em geral, as três facetas transparecem e complementam-se.

Pedro Botelho disse...

Essa das passas de uva tem alguma coisa a ver com a agapé? Não eros melhor castanhas?