sábado, 10 de março de 2007

Charivari


Phroudon?...

Largo do Rato, antes da primeira obra...




Ainda conheço quem se lembre do estado em que se encontrava este Largo do Rato...

Polaiollo ou Diogo Gonçalves?

Descubra as diferenças entre o D. Jacobo da esquerda com a figura central dos painéis de S. Vicente... Curiosamente, este quadro de Polaiollo encontra-se nos Uffizi de Florença (com direito a uma cópia em São Miniato dei Monte).

sexta-feira, 9 de março de 2007

O ouriço e a raposa...

Até nos videojogos I. Berlin está presente, quem diria?

Olissipografia 2: recordar a Quinta do Biaggi ou dos Palmela (ao pé do Rato)...






Sim, e perto dali abriram a Rua D. João V, que segue para as Amoreiras. A torre é, no entanto, intrigante. Uma pergunta aos olissipógrafos: onde podemos encontrar os portões dos Laboratórios Sanitas, que ocuparam mais tarde o lugar desta torre?

quinta-feira, 8 de março de 2007

Já estive em Florença em busca deste cenário...



...e com um Baedeker's na mão (A Room with a View, 1985)!

Baedeker's



Será que o nosso austero Jansenista aprecia estas peças do tempo em que ainda se fazia turismo de polainas? Ver tudo aqui.

Isaiah Berlin


Ver aqui toda a sua obra...

I. Berlin vs I. Berlin?


Depois de ler uns escritos de Isaiah Berlin, Churchill quis receber o referido pensador no n.º 10 do Downing Street. Preparou-se o convite dirigido a "I. Berlin" e no dia marcado apareceu o convidado. A conversa foi muito animada e, a certa altura, Churchill refere que a sua filosofia é muito construtiva e que precisava perceber um pouco mais do que pensava. I. Berlin responde, com certeza, a minha música é de facto muito filosófica! Na certeza que Isaiah Berlin não era músico, quem tinha sido verdadeiramente convidado fora Irving Berlin, músico naturalizado norte americano nos fins do século XIX...

Stirb Nicht Vor Mir...


Como sei que a Charlotte gosta de Rammstein, cá vai uma com a Sharleen Spiteri. A minha transversalidade nos gostos permitiu-me assistir a dois concertos destes roqueiros da ex-RDA (um deles até a minha cara-metade foi!). Cá vai a letra:


"Die nacht öffnet ihren schoß
Das kind heißt einsamkeit
Es ist kalt und regungslos
Ich weine leise in die zeit

Ich weiß nicht wie du heißt
Doch ich weiß, dass es dich gibt
Ich weiß, dass irgendwann
Irgendwer mich liebt

He comes to me every night
No words are left to say
With his hands around my neck
I close my eyes and pass away

I don´t know who he is
In my dreams he does exist
His passion is a kiss
And i can not resist

Ich warte hier
Don´t die before i do
Ich warte hier
Stirb nicht vor mir

I don´t know who you are
I know that you exist
(stirb nicht)
Sometimes love seems so far
(ich warte hier)
Your love i can´t dismiss

Ich warte hier
Alle häuser sind verschneit
Und in den fenstern kerzenlicht
Dort liegen sie zu zweit
Und ich, ich warte nur auf dich

Ich warte hier
Don´t die before i do
Ich warte hier
Stirb nicht vor mir

I don´t know who you are
I know that you exist
(stirb nicht)
Sometimes love seems so far
(ich warte hier)
Your love i can´t dismiss
Stirb nicht vor mir"

quarta-feira, 7 de março de 2007

Das raposas e dos ouriços de Isaiah Berlin

Com que animal mais nos identificamos: as raposas ou os ouriços?

"There is a line among the fragments of the Greek poet Archilochus which says: 'The fox knows many things, but the hedgehog knows one big thing'. Scholars have differed about the correct interpretation of these dark words, which may mean no more than that the fox, for all his cunning, is defeated by the hedgehog's one defense. But, taken figuratively, the words can be made to yield a sense in which they mark one of the deepest differences which divide writers and thinkers, and, it may be, human beings in general. For there exists a great chasm between those, on one side, who relate everything to a single central vision, one system less or more coherent or articulate, in terms of which they understand, think and feel-a single, universal, organizing principle in terms of which alone all that they are and say has significance-and, on the other side, those who pursue many ends, often unrelated and even contradictory, connected, if at all, only in some de facto way, for some psychological or physiological cause, related by no moral or aesthetic principle; these last lead lives, perform acts, and entertain ideas that are centrifugal rather than centripetal, their thought is scattered or diffused, moving on many levels, seizing upon the essence of a vast variety of experiences and objects for what they are in themselves, without consciously or unconsciously, seeking to fit them into, or exclude them from, any one unchanging, all-embracing, sometimes self-contradictory and incomplete, at times fanatical, unitary inner vision. The first kind of intellectual and artistic personality belongs to the hedgehogs, the second to the foxes; and without insisting on a rigid classification, we may, without too much fear of contradiction, say that, in this sense, Dante belongs to the first category, Shakespeare to the second; Plato, Lucretius, Pascal, Hegel, Dostoevsky, Nietzsche, Ibsen, Proust are, in varying degrees, hedgehogs; Herodotus, Aristotle, Montaigne, Erasmus, Molière, Goethe, Pushkin, Balzak, Joyce are foxes." (Isaiah Berlin, The Hedgehog and the Fox, 1953)

terça-feira, 6 de março de 2007

Academia Independente...

Estaria a sonhar ou o ex-primeiro-ministro-português-que-julga-que-chegará-a-presidente-no-
futuro esteve para fazer parte do ilustre corpo docente da Universidade Independente? Estaria o mesmo disposto a abdicar da consultoria na EDP para acumular funções nesta Escola ao Parque das Nações? O que se faz por dinheiro...

Presentes caboverdianos 4

Para a nossa Miss Pearls fazer deste pequeno punhado de moedas de ouro espanholas, encontradas ao largo de Cabo Verde, uma peça única do mais fino luxo a que estamos habituados...

Presentes caboverdianos 3



Um pouco de história visual caboverdiana, para o nosso Bic Laranja desfibrar...

Presentes caboverdianos 2

Um pouco de jazz para a Charlotte ouvir. Espero que goste... e não ache excêntrico...

Presentes caboverdianos 1


Para o Jansenista encontrar o seu Ashram... O presente é modesto, mas o que conta é a intenção...

Recordando Eugénio Tavares

De regresso a Portugal, resta-me recordar Eugénio Tavares:

"Foi a 12 de Junho de 1900, por uma manhã formosíssima, céu alto, zebrado de longos flocos cintilantes, mar sereno, levemente picado, estendido num imenso pano de seda azul ponteado. O lugre abriu suas largas velas ao nordeste carinhosamente fresco, e desfechou, canal abaixo, proa da América, do El Dorado da liberdade, Igualdade e Fraternidade. Esplêndida vela, leve sobre o mar, elegantemente inclinado, o navio voava, enquanto que o meu espírito voltava dolorosamente à realidade, e se retraía, e se obumbrava nessa indefinível opacidade calma, tranquila, profundamente dolorosa das grandes dores resignadas.
Na montanha bronzeada que nos ficava atrás, olhos tristes velados de lágrimas, que lágrimas que nenhum bálsamo consola, chorariam, porventura, fixos, humidamente fixos na esteira que o lugre ia deixando na tranquila superfície azulada.

As causas deste meu exílio, tu que me conheces, tu as sabes: foste testemunha das monstruosidades que emborcaram sobre o meu nome o córrego lodoso duma calúnia inaudita.

Começou tarde, mas sempre começou, entre nós, na atmosfera viciada da administração colonial, o desvendamento da Justiça. Desvendada ela, a Deusa, poder-se-á não mais escolher as vítimas, senão descobrir os criminosos.

Crente então na justiça de Deus, as mais estupendas, as mais mostruosas infâmias pareciam-me fatalidades orgânicas, dejectos da vida, detritos cuspidos pela máquina social no seu funcionamento.

À tardinha, quando o cinzento perfil da ilha se diluiu no roxo do horizonte, desci à câmara, estendi-me num beliche e me pus a revolver na ferida da minha dor o punhal lacerador da saudade."

segunda-feira, 5 de março de 2007

Ultimate Painting


Nem tudo o que parece é... Aprecie-se o cinzento dominante, que deixa de o ser para tomar uma forma de cruz...

[Ad Reinhardt. (American, 1913-1967). Abstract Painting. 1963. Oil on canvas, 60 x 60" (152.4 x 152.4 cm). Gift of Mrs. Morton J. Hornick. © 2007 Estate of Ad Reinhardt / Artists Rights Society (ARS), New York]

domingo, 4 de março de 2007

Monte Cara ontem e hoje




Onde está a cara no mencionado monte célebre mindelense?

sábado, 3 de março de 2007

"Tour" insular bizarro

Manhã atribulada, saída de avião de S. Vicente e regresso à ilha do Sal, depois de uma semana no Mindelo. Em geral, o povo caboverdiano é afável e de costumes brandos. E o povo mindelense tem um elemento adicional: orgulha-se muito da terra que habita, dos seus costumes e tradições. A presidente da Câmara de S. Vicente é uma Senhora de armas, capaz de colocar a sabujice do nosso Jardim madeirense a um canto.
A viagem para o Sal demorou sensivelmente trinta e cinco minutos, num avião a hélices, paradoxalmente mais seguro que o Airbus 727. A chegada de madrugada e a espera de seis horas pela ligação para Lisboa impulsionou-me para fazer uma visita por aquela ilha, que é destino de férias de muitos portugueses. Confesso que não sou adepto desse tipo de turismo, nem de carneiradas. Por outro lado, considero redutor o facto de alguém passar uns dias de férias nos chamados "resorts", que mais parecem prisões (por vezes, nem mesmo douradas) em que a "malta" é logo "condecorada" à chegada com umas pulseiras (quase electrónicas) e é obrigada a permanecer, nos dias pré-fixados pelas agências de viagens, intra-muros. Ali faz-se de tudo, e as diferenças entre aquele espaço e um curral são muito pequenas. Ora, corre-se, come-se as mais variadas refeições, faz-se ginástica, dorme-se, engata-se, arrota-se - e com o pormenor de ser tudo ao mesmo tempo. Digamos que a vida na fauna animal será mais animada, porque não está confinada intra-muros, salvo se falarmos num jardim zoológico.
Consciente destas limitações e não obstante já estar deformado quanto a este tipo de destinos, quis ver de perto esse fenómeno que tanto se fala. Como tinha um contacto nessa ilha telefonei-lhe e combinei encontro. O desconhecimento da aparência física do mesmo, levou-me a que combinasse com ele um encontro com base no que tínhamos vestido. Eu, camisa azul e calças cremes e ele t-shirt encarnada e pick-up branco. Até daqui a dez minutos, disse ele, e eu aguardei.
De facto, ao fim de dez minutos lá tinha à minha espera um sujeito numa pick-up branca, mas sem a t-shirt encarnada. Pergunto-lhe se mudara de t-shirt e o indivíduo diz que sim e entro no carro. O dito guia era surfista e deu uma volta exímia à ilha do Sal, frisando os "hot-spots" de surf, inclusive apresentando-me ao campeão mundial de windsurf, que estava por lá. Fiquei impressionado com o facto de aquele ambiente não ter nada a ver com uma ilha caboverdiana - aquilo nada mais era que um cruzamento de Hawai com Jamaica, com a língua italiana como suporte, o que, para mim, é decepcionante - o que o turismo pode fazer é assustador, quando se trata e standardizar culturas suprimindo idiossincrasias populares.
No final do tour turístico agradeço ao dito homem e o mesmo pede-me quarenta euros, que paguei, estranhando o excesso, dado tratar-se de um contacto de um amigo. Já no aeroporto, recebo uma chamada de um senhor, que me pediu desculpa por não ter conseguido passar pelo aeroporto, como combinado telefonicamente, porquanto tivera um furo num pneu.
Sentido alguns calafrios na espinha, mas aliviado por não ter acontecido nada de especial, perguntei-me várias vezes quem seria aquele indivíduo que fez a volta comigo. A esta altura o mesmo deveria estar a gozar os quarenta euros pagos, à custa de uma troca de identidades. A ilha do Sal não é Cabo Verde, é a terra da ilusão e do engano - e eu senti isso na pele...