segunda-feira, 26 de março de 2007

Olissipografia 7 (memórias familiares)



São fantasmas que percorrem a minha memória: da varanda traseira da casa independente da Rua Buenos Aires, que dá para a Travessa do Combro relembro os familiares que aí viveram e brincaram desde crianças. Ainda vejo as crianças a correrem pelo bairro, a passarem pelo palácio dos Possolos, e a subirem para a varanda por forma a contarem os navios que entravam na barra do Tejo com a bandeira portuguesa branca e azul. Estava-se em 1905 e a vizinhança não estaria longe do que se vê, com toda a certeza...
Fantasmas há uns mais pesarosos, outros mais serenos e ainda os equidistantes. Não nego que estão presentes. Há uns anos, conduzi um amigo que gosta dessas coisas de espíritos (no lo creo, pero que los hay, hay) ao que fora o meu gabinete de trabalho. Qual não foi o meu espanto quando o convidado referiu que alguém estava presente, para além de nós, mas que não queria mal, apenas vigiava constantemente o que fazia. Um ascendente, indubitavelmente, como me viria a ser confirmado mais tarde (e com os mesmos hábitos noctívagos)... que precisamente tinha trabalhado no local e que tinha uns assuntos por resolver, perdidos no século XIX.

2 comentários:

O Jansenista disse...

Ainda sobra alguma coisa desse Combro / Cômoro?

O Exactor disse...

Sobra claro! O edifício continua lá frondoso, com entrada pela Buenos Aires, lateral na Travessa do Ferreiro e traseiras para o Combro...