segunda-feira, 23 de julho de 2007

Olissipografia 33


A pedido do nosso Je Maintiendrai, cá vai uma série de palacetes. Este primeiro é o palácio Valada-Azambuja (que, mais recentemente, albergou a 6.ª Conservatória do Registo Civil).

"Então começou a minha vida de milionário. Deixei bem depressa a casa de Madame Marques - que, desde que me sabia rico, me tratava todos os dias a arroz-doce, e ela mesma me servia, com o seu vestido de seda dos domingos. Comprei, habitei o palacete amarelo, ao Loreto: as magnificências da minha instalação são bem conhecidas pelas gravuras indiscretas da «Ilustração Francesa». Tornou-se famoso na Europa o meu leito, de um gosto exuberante e bárbaro, com a barra recoberta de lâminas de ouro lavrado, e cortinados de um raro brocado negro onde ondeiam, bordados a pérolas, versos eróticos de Catulo; uma lâmpada, suspensa no interior, derrama ali a claridade láctea e amorosa de um luar de Verão." (In Eça de Queiroz, O Mandarim)

3 comentários:

Je maintiendrai disse...

Boa, boa! E que mal tratado está... A única coisa que interessa lá dentro é o atelier do Guilherme parente.

O Jansenista disse...

Alguns ornamentos da intelectualidade lisboeta casaram no Palácio...

Je maintiendrai disse...

Presume-se que no estaminé da Conservadora e não na capela dos Valada e dos Azambuja...